quarta-feira, 29 de abril de 2009

Sorrindo para a sua raiva



Inspirando, sei que a raiva me deixa feio.
Expirando, não quero que a raiva me deforme.
Inspirando, sei que devo cuidar de mim.
Expirando, sei que a bondade amorosa é a única resposta


Quando estamos com raiva, devemos nos concentrar em nossa respiração e nos abster de ouvir ou olhar para a pessoa que achamos se a causa de nossa infelicidade. Não precisamos fazer nem dizer nada. À medida que voltamos a prestar atenção à nossa respiração e que fazemos de acordo com o gatha, devemos nos tornar cientes de que é a nossa raiva que está nos fazendo sofrer e não a outra pessoa.

Thich Nhat Hanh
Momento Presente,
Momento Maravilhoso
(Ed. Sextante. Rio de Janeiro, 2004,p.60)

terça-feira, 28 de abril de 2009

Os filhos e a raiva


Um garoto de 14 anos contou-me que, toda vez que se sentia deprimido e ferido, o pai gritava com ele. Esse menino jurou que não agiria dessa maneira quando crescesse. No entanto, uma vez sua irmã pequena estava brincando com outras crianças quando caiu de um balanço e machucou o joelho. Esse acidente o deixou com muita raiva. O joelho dela estava sangrando, e ele sentiu vontade de gritar: “Como você pode ser tão estúpida! Por que fez isto?” Mas se segurou. Como estava praticando a respiração e a atenção plena, conseguiu reconhecer sua raiva e não agir assim.

Enquanto os adultos cuidavam da menina, lavando a ferida e colocando um curativo, o garoto se afastou lentamente e meditou sobre sua raiva. De repente, percebeu que estava agindo exatamente como seu pai. Ele disse: “Compreendi que, se não tivesse feito alguma coisa a respeito da minha raiva, iria transmiti-la aos meus filhos.” Viu que as sementes da raiva do seu pai deviam ter sido transmitidas por seus avós. Foi um insight admirável para alguém de 14 anos. Como ele estava praticando, conseguiu compreender a situação claramente. Fazendo as pazes com nossos pais que estão dentro de nós, temos a oportunidade de fazer a paz real com nossos pais verdadeiros.

Thich Nhat Hanh, Ensinamentos sobre o Amor (Editora Sextante)

terça-feira, 21 de abril de 2009

Por que palavras?




Um monge aproximou-se de seu mestre - que se encontrava em meditação no pátio do Templo à luz da lua - com uma grande dúvida:

"Mestre, aprendi que confiar nas palavras é ilusório; e diante das palavras, o verdadeiro sentido surge através do silêncio. Mas vejo que os Sutras e as recitações são feitas de palavras; que o ensinamento é transmitido pela voz. Se o Dharma está além dos termos, porque os termos são usados para defini-lo?"

O velho sábio respondeu:" As palavras são como um dedo apontando para a Lua; cuida de saber olhar para a Lua, não se preocupe com o dedo que a aponta."

O monge replicou: "Mas eu não poderia olhar a Lua, sem precisar que algum dedo alheio a indique?"

"Poderia," confirmou o mestre, "e assim tu o farás, pois ninguém mais pode olhar a lua por ti. As palavras são como bolhas de sabão: frágeis e inconsistentes, desaparecem quando em contato prolongado com o ar. A Lua está e sempre esteve à vista. O Dharma é eterno e completamente revelado. As palavras não podem revelar o que já está revelado desde o Primeiro Princípio."

"Então," o monge perguntou," por que os homens precisam que lhes seja revelado o que já é de seu conhecimento?"

"Porque," completou o sábio, "da mesma forma que ver a Lua todas as noites faz com que os homens se esqueçam dela pelo simples costume de aceitar sua existência como fato consumado, assim também os homens não confiam na Verdade já revelada pelo simples fato dela se manifestar em todas as coisas, sem distinção. Desta forma, as palavras são um subterfúgio, um adorno para embelezar e atrair nossa atenção. E como qualquer adorno, pode ser valorizado mais do que é necessário."

O mestre ficou em silêncio durante muito tempo. Então, de súbito, simplesmente apontou para a lua.

CONTO ZEN

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Uma lição para Rahula




"Rahula, aprenda com a terra. Se as pessoas espalham flores fragrantes e puras, ou derramam perfume, ou leite fresco sobre ela, ou ainda, descarregam fezes imundas e malcheirosas, urina, sangue, mucos, cuspindo nela, a terra recebe isso tudo igualmente sem apego ou aversão. Quando pensamentos agradáveis ou desagradáveis surgirem na mente, não os deixe enredar ou escravizar você"
Diálogo entre Buda e o seu filho Rahula.
Trecho do Livro Velhos Caminhos, Nuvens Brancas - Seguindo as pegadas do Buda - Thich Nhat Hanh, Ed. Bodigaya, 2007, RS, pg.256.

domingo, 5 de abril de 2009

AS CINCO LEMBRANÇAS




"Eu pertenço à natureza do envelhecimento; não há nenhum modo de escapar do envelhecimento.
"Eu pertenço à natureza das doenças; não há nenhum modo de escapar de sofrer alguma doença.
"Eu pertenço à natureza da morte; não há nenhum modo de escapar da morte.
"Tudo aquilo que me é querido e todos que amo pertencem à natureza da mudança. Não há nenhum modo de evitar me separar deles."
"Minhas ações são meus únicos verdadeiros pertences. Eu não posso escapar às conseqüências de minhas ações. Minhas ações são o solo sobre o qual eu piso."

Versos (gatha) da Ordem Interser
Criada pelo Ven. Thich Nhat Hanh

sexta-feira, 27 de março de 2009

RESPIRAÇÃO CONSCIENTE

“Inspirando, você está consciente de que está inspirando. Expirando você está consciente de que está expirando. Durante estes momentos de prática de respiração, foque sua mente apenas na sua respiração e nada mais além disso. Os pensamentos inúteis e dispersos cessarão, permitindo que sua mente repouse na mente atenta. Quando estiver plenamente consciente da sua respiração, você passa a viver em mente atenta. Vivendo em mente atenta, você não pode mais ser carregado por quaisquer pensamentos. Com uma única respiração, você pode atingir o despertar. Tal despertar é a Natureza de Buda que existe em todos os seres.
Respirando de modo curto, você sabe que está respirando de modo curto. Respirando longamente, você sabe que está respirando longamente. Esteja totalmente consciente de cada respiração. Observar com mente atenta sua respiração ajudará você a desenvolver a concentração. Com a concentração, você será capaz de olhar profundamente para dentro da natureza do seu corpo, dos seus sentimentos, da mente e dos objetos da mente, os quais são chamados de sarvadharma”

*Trecho do Romance Velho Caminho, Nuvens Brancas, Seguindo as Pegadas do Buda, Ed. Bodigaya, escrito por Thich Nhat Hanh (pg. 256/257), onde ele ensinava o seu filho Rahula o método de observar a respiração.

DESEJO

"Desejo primeiro que você ame,
E que amando, também seja amado.
E que se não for, seja breve em esquecer.
E que esquecendo, não guarde mágoa.
Desejo, pois, que não seja assim,
Mas se for, saiba ser sem desesperar.

Desejo também que tenha amigos,
Que mesmo maus e inconseqüentes,
Sejam corajosos e fiéis,
E que pelo menos num deles
Você possa confiar sem duvidar.
E porque a vida é assim,
Desejo ainda que você tenha inimigos.
Nem muitos, nem poucos,
Mas na medida exata para que, algumas vezes,
Você se interpele a respeito
De suas próprias certezas.
E que entre eles, haja pelo menos um que seja justo,
Para que você não se sinta demasiado seguro.

Desejo depois que você seja útil,
Mas não insubstituível.
E que nos maus momentos,
Quando não restar mais nada,
Essa utilidade seja suficiente para manter você de pé.

Desejo ainda que você seja tolerante,
Não com os que erram pouco, porque isso é fácil,
Mas com os que erram muito e irremediavelmente,
E que fazendo bom uso dessa tolerância,
Você sirva de exemplo aos outros.

Desejo que você, sendo jovem,
Não amadureça depressa demais,
E que sendo maduro, não insista em rejuvenescer
E que sendo velho, não se dedique ao desespero.
Porque cada idade tem o seu prazer e a sua dor e
É preciso deixar que eles escorram por entre nós.

Desejo por sinal que você seja triste,
Não o ano todo, mas apenas um dia.
Mas que nesse dia descubra
Que o riso diário é bom,
O riso habitual é insosso e o riso constante é insano.

Desejo que você descubra,
Com o máximo de urgência,
Acima e a respeito de tudo, que existem oprimidos,
Injustiçados e infelizes, e que estão à sua volta.

Desejo ainda que você afague um gato,
Alimente um cuco e ouça o joão-de-barro
Erguer triunfante o seu canto matinal
Porque, assim, você se sentirá bem por nada.

Desejo também que você plante uma semente,
Por mais minúscula que seja,
E acompanhe o seu crescimento,
Para que você saiba de quantas
Muitas vidas é feita uma árvore.

Desejo, outrossim, que você tenha dinheiro,
Porque é preciso ser prático.
E que pelo menos uma vez por ano
Coloque um pouco dele
Na sua frente e diga "Isso é meu",
Só para que fique bem claro quem é o dono de quem.

Desejo também que nenhum de seus afetos morra,
Por ele e por você,
Mas que se morrer, você possa chorar
Sem se lamentar e sofrer sem se culpar.

Desejo por fim que você sendo homem,
Tenha uma boa mulher,
E que sendo mulher,
Tenha um bom homem
E que se amem hoje, amanhã e nos dias seguintes,
E quando estiverem exaustos e sorridentes,
Ainda haja amor para recomeçar.
E se tudo isso acontecer,
Não tenho mais nada a te desejar".

Victor Hugo (1802/1885)

quarta-feira, 25 de março de 2009

PALAVRAS DE MORIHEI UESHIBA


"Agora e de novo é necessário um retiro entre grandes montanhas e vales escondidos para restaurar sua ligação com a fonte da vida. Expire e deixe-se voar até os confins do universo; inspire e traga o cosmos para dentro de você. Depois aspire toda fecundidade e vibração da terra. Finalmente combine a respiração da terra com a sua própria e torne-se a respiração da vida".


Tradução : Mauricio Luiz de Camargo
Postado originalmente no endereço http://www.aikikai.org.br

terça-feira, 24 de março de 2009

SEM PREOCUPAÇÃO

"Se o problema tem solução, não esquente a cabeça, porque tem solução. Se o problema não tem solução, não esquente a cabeça, porque não tem solução."

Provérbio Chinês

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Me arrependo de coisas que disse



"Me arrependo de coisas que disse, mas jamais do meu silêncio".




Pense em alguém poderoso.

Essa pessoa briga e grita como uma galinha ou olha em calmo silêncio, como um lobo? Lobos não gritam. Eles têm uma aura de força e poder. Observam em silêncio. Somente os poderosos, sejam lobos, homens ou mulheres, respondem a um ataque verbal com o silêncio.

Além disso, quem evita dizer tudo o que tem vontade, raramente se arrepende por magoar alguém com palavras ásperas e impensadas.

O erro não dito é um silencioso correto.

Exatamente por isso, o primeiro e mais óbvio sinal de poder sobre si mesmo é o silêncio em momentos críticos. Se você está em silêncio, olhando para o problema, mostra que está pensando, sem tempo para debates fúteis. Se for uma discussão que já deixou o terreno da razão, quem silencia e continua a trabalhar mostra que já venceu, mesmo quando o outro lado insiste em gritar a sua derrota. Olhe. Sorria. Silencie. Vá em frente.

Lembre-se
de que há momentos de falar e há momentos de silenciar. Escolha qual desses momentos é o correto, mesmo que tenha que se esforçar para isso.

Por alguma razão, provavelmente cultural, somos treinados para a (falsa) idéia de que somos obrigados a responder a todas as perguntas e reagir a todos os ataques. Não é verdade. Você responde somente ao que quer responder e reage somente ao que quer reagir. Você nem mesmo é obrigado a atender seu telefone pessoal. Falar é uma escolha, não uma exigência, por mais que assim o pareça.

Você pode escolher o silêncio.

Além disso, você não terá que se arrepender por coisas ditas em momentos impensados, como defendeu Xenócrates, mais de trezentos anos antes de Cristo, ao afirmar: "me arrependo de coisas que disse, mas jamais de meu silêncio”.

Durante os próximos sete dias, responda com o silêncio, quando for necessário. Use sorrisos, não sorrisos sarcásticos, mas reais. Use principalmente o olhar, use um abraço ou use qualquer outra coisa para não ter que responder em alguns momentos. Você verá que o silêncio pode ser a mais poderosa das respostas. E, no momento certo, a mais compreensiva e real delas.

Aldo Novak.

Retirado em sua integralidade do belíssimo blog http://pensandozen.blogspot.com/

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Trecho do Angulimala Sutta

"18. Então, enquanto o venerável Angulimala estava sozinho em retiro, experimentando o prazer da libertação, ele pronunciou o seguinte: [6]

"Quem antes vivia em negligência

e depois não é mais negligente,

Ele ilumina o mundo

Tal como a lua liberta das nuvens.

Quem inspeciona as más ações que cometeu

Praticando ações benéficas no seu lugar,

Ele ilumina o mundo

Tal como a lua liberta das nuvens.

O jovem bhikkhu que dedica

O seu esforço aos ensinamentos do Buda,

Ele ilumina o mundo

Tal como a lua liberta das nuvens.

Que meus inimigos ouçam um discurso do Dhamma,

Que eles se dediquem aos ensinamentos do Buda,

Que meus inimigos cuidem dessas pessoas de bem

Que conduzem outras a aceitarem o Dhamma.

Que meus inimigos prestem atenção ocasionalmente

E ouçam o Dhamma daqueles que pregam a tolerância,

Daqueles que também falam em favor da bondade,

E que eles sigam esse Dhamma com ações bondosas.

Pois então com certeza , eles não irão desejar causar dano a mim,

Nem pensarão em causar dano a outros seres,

Portanto, aqueles que protegem a todos, fracos ou fortes,

Que eles alcançem a paz insuperável.

Aqueles que fazem canais, conduzem a água,

Arqueiros endireitam as flechas,

Carpinteiros endireitam a madeira,

Mas os homens sábios buscam domar a si mesmos.

Existem alguns que são domados com surras,

Alguns com grilhões e alguns com chicotes;

Mas eu fui domado por alguém só

Que não possui vara ou nenhuma arma.

'Inofensivo' é o nome que tenho,

Embora eu tenha sido perigoso no passado. [7]

O nome que tenho hoje é verdadeiro:

Eu não machuco nenhum ser vivo.

Embora tenha vivido no passado como um bandido

Com o nome de 'Colar de Dedos',

Aquele arrastado pela grande correnteza,

Eu procurei refúgio no Buda.

Embora tivesse no passado as mãos tingidas de sangue

Com o nome de 'Colar de Dedos',

Veja o refúgio que encontrei:

O grilhão de ser/existir foi partido.

Enquanto que muitas ações que pratiquei conduzem

Ao renascimento no inferno,

No entanto o seu resultado já me atingiu agora,

E assim, me alimento livre das minhas dívidas. [8]

Eles são tolos e não possuem noção,

Aqueles que se entregam à negligência,

Mas aqueles com sabedoria protegem a diligência

E a tratam como seu maior bem.

Não abram caminho para a negligência

Nem busquem prazer nos prazeres sensuais,

Mas meditem com diligência

De forma a alcançar a felicidade perfeita.

Dessa forma sejam bem vindos à escolha que fiz

E que ela permaneça assim, pois não foi mal feita;

De todos os Dhammas que são conhecidos

Eu encontrei o melhor.

Dessa forma sejam bem vindos à escolha que fiz

E que ela permaneça assim, pois não foi mal feita;

Eu alcancei o conhecimento tríplice

E fiz tudo o que o Buda ensina."

Conteúdo intregral no endereço http://www.sotozencuritiba.org/Angulimama.php#R6